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segunda-feira, 9 de maio de 2011

Um dia...


Um dia chamei sua atenção com meu primeiro sorriso e eu nem sabia que você já  sorria pra mim desde que soube da minha existência.
Um dia chamei sua atenção com meu choro por não poder expressar o que sentia e eu nem sabia que você já expressava tantas emoções por  mim.
Um dia você chamou minha atenção por ter agido de forma que você não esperava e eu nem sabia que você agia antes mesmo de eu esperar.
Um dia chamaram minha atenção  por ter desrespeitado as regras do jogo pelas minhas dificuldades  e eu nem sabia que você ja tinha chamado a atenção  de todos para que me respeitassem com minhas dificuldades.
Um dia chamei a atenção dos que passavam na rua pela minha diferença e eu nem sabia que você se orgulhava de mim.
Um dia eu chorei sorrindo de tanta cócegas que me fez e eu nem sabia que você já sorriu chorando ao saber que teria mais desafios do que as mães normalmente têm.
Um dia para mim é conquista e um dia para voce é amor.
Te amo mãe!
Luciane Tonon

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O sapato no divã


- Olá meu filho, diga qual o seu problema:

- Doutor eu ando muito triste ultimamente. Eu vim de uma grife muito famosa. Era até confortável. Conseguia fazer a cabeça da mulherada. Elas me usavam tanto que eu saia estragado. Claro que eu tinha que me submeter aos sprays, talquinhos, bolinhas anti-cheiros, naftalinas, sei lá.

Mas agora, doutor (chorando muito, ao ponto de ser ouvido na sala de espera). Mas agora, nada disso adianta. Não há nada que tire meu cheiro. Quanto mais sprays elas passam, mais eu fedo. Elas me guardam num armarinho, quando calçam minha prima sapatilha e coitado de quem abrir esse armarinho despreparado. Olham pra mim com nojo, com desprezo, aiaiaiaiaia doutor.

- Hum.

- O pior doutor é que o cheiro é o de menos. Desde que eu perdi a grife famosa para uma marca personalizada, que vem acompanhada de um selo de garantia de conforto, estou sendo rejeitadooooo. Eu me tornei uma pessoa dura, ríspida, esfolo os dedinhos, aperto. Elas não agüentam ficar comigo muito tempo, preferem aquela achatada da minha prima sapatilha buáááááá’ – (intensifica o choro). Sabe doutor, eu sei que elas têm razão por causa do meu salto. Outro dia eu li numa revista que “o uso do salto alto faz com que a mulher distribua maior peso e exerça maior pressão nos dedos dos pés, o que pode levar ao encurtamento nos músculos da panturrilha (batata da perna), provocar tendinite, fraqueza muscular, ruptura de ligamentos, entorse (virada de pé), esporões de calcâneos e tornozelos. Sem falar em aumento da lordose lombar, dores no joelhos, calosidade, joanetes e unhas encravadas, caso o sapato tenha bico fino” 1.

- Aham

- É o meu caso buáááááááááááá. A minha dona está com essa tal de lordose lombar. Ela me odeiaaaa. Está sofrendo muita dor e não sabe mais o que fazer. Ela e mais um monte de amigas. Doutor me ajuda eu quero me matar.

- Bem meu filho já deu o horário. Volte na semana que vem.

1 – SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL – Combatendo a Obesidade – artigo o risco do Salto Alto - Ano 9, no 106. P15.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Hoje estou de folga. Folga de comissário é assim: - ir ao banco pagar conta, ir à escola do filho resolver uma questãozinha, passar na farmácia; ir ao dentista; comprar mistura pro almoço; fazer o almoço e arrumar a cozinha. Lavar o cachorro e toda área onde ele fica; estender a roupa que pôs na máquina pra bater de manhã. Fazer a unha e pintar o cabelo. Buscar as crianças na escola. Dar janta; discutir com o marido por que você não teve tempo de passar na mãe dele para ajudá-la a enrolar pão. Brincar com o filho mais novo pra não deixar os outros brigarem com ele. Ver a lição do mais velho, que está atrasada desde que você saiu pra voar. Por todo mundo na cama e tentar ligar a tv pra assistir o que sobrou na programação da noite. Opa, tem alguém chorando. Vai lá ver. Hum queimando em febre. Leva pro médico. Espera duas horas pra ser atendida. É garganta. E amanhã o que faço estou de stand by ( plantão em casa) - E se for acionada o que fazer? O menino não pode ir pra escola assim. Volta pra casa tenta fazê-lo dormir. tarde da noite você nem sequer teve tempo de conversar com o marido. Vichi ele já dormiu. Bom, tenta pegar no sono também, afinal amanhã você não está mais de folga.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Tomadas


Oi gente estou em Londres. O tempo está: dia frio, dia muito frio, dia sol e frio, dia chuva e frio. Mas o tempo hoje não vem ao caso. Vou me ater a um pormenor londrino. Aqui todas as tomadas são acompanhadas de um botão (on e off) para que você possa validar a energia daquele local. Ou seja, evita-se desperdício. Vejam a foto. Mas, por falar em tomadas, por que cada país tem a sua heim? Seria jogo político ou exibição de engenharia? Só na minha mala deve ter uns 5 adaptadores diferentes. Tem redondo, quadrado, grosso, fino, um lado maior que o outro. Tem com buraco, tem sem buraco, tem com três machos, tem com dois machos sei lá. Socorro.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Relembrando uma de minhas aventuras no Amazonas


Mata... mata... mata... rio... mata... mata... rio... Ah gente?
Tem certeza que tem gente aí?
Essa foi a pergunta imediata que fiz ao piloto Paulo Bachmann depois de sobrevoarmos quase uma hora mata adentro com o Caravan Anfíbio 208. Chegamos à Região de Borba, mais precisamente em Axinim, margens do Rio Madeira na Amazônia. Uma comunidade de quase 2000 pessoas. É incrível, mas ali, onde ninguém imagina existe vida. E é por essas vidas “esquecidas” que voluntários de Asas do Socorro têm dedicado seu tempo e seu talento. Nossa equipe era composta de duas dentistas, uma médica, uma auxiliar de enfermagem, uma missionária e eu. Só mulher. E pra nossa surpresa a equipe foi acrescentada de mais seis mulheres que vieram da secretaria de saúde de Borba, o município responsável pela comunidade de Axinim.
Quando o avião amerissou muita gente já nos aguardava. A alegria expressa nos olhos deles era incrível. Como se dissessem alguém está olhando por nós. Segundo Bachmann, a população ribeirinha, ou caboclos é a que mais sofre por falta de assistência. Eles não são considerados nem índios, nem brancos e por isso não são assistidos como os índios. “É um povo que não tem nada e o grande desafio é o casamento da tecnologia do século 20, como um avião (pássaro grande de barriga), como dizem, com um povo que vive ainda como a 500 anos”, explica o piloto que há 15 anos trabalha com Asas. Para ele só mesmo a mão de Deus para fazê-los encontrar gente onde ninguém imagina. “Deus orquestra tudo. Manda chuva justamente quando temos que cancelar um vôo. Dá-nos sabedoria para descobrir rapidamente as eventuais panes do avião, entre outras coisas que posso chamar de milagres”, acrescenta o piloto. Os lugares que eles pousam, às vezes, levam-se dias para chegar de barco e numa emergência, o tempo é vida.
Mas, vamos continuar nossa aventura. Assim que desembarcamos em Axinim, a equipe já começou a montar os “consultórios” e a primeira frase que ouvi de um morador foi: “Vocês caíram do céu”, tal era a ansiedade deles por ajuda. O lugar tinha mais estrutura do que as situações normais que as equipes de Asas enfrentam. “Nossos equipamentos são adaptados para regiões precárias mesmo; como cadeiras de plástico dobrável; gerador de energia solar para funcionamento do compressor; nossas camas são redes e o que trazemos na bagagem é muito amor por esse povo”, explica a missionária Mara Jeane Dantas.
A fila de espera para atendimento num instante ficou enorme. E eu pra aproveitar a ocasião, entrevistei alguns nativos, como o pescador Valdenor Rodrigues que disse estar muito feliz: “Essa atitude de vocês traz pra nós carinho, alegria, não só ajuda médica, mas conforto espiritual também”. Para o aposentado Orlando Moraes, os voluntários deveriam vir mais vezes. “É mais fácil vocês chegarem de avião até nós, do que a gente ir a remo 18 horas rio adentro pra conseguir socorro médico”, disse. Já a dona Eugênia Moreira de Lima, 70 anos, só queria saber de curar a dor que estava sentindo por dentro. Quanto mais eu perguntava o que ela estava achando do projeto, mais ela me respondia: “É só essa dor mesmo que sinto por dentro e as minhas vistas que não estão boas”.
Depois de ter conhecido um pouco do povo; tirar bastantes fotos, me encarreguei de brincar com as crianças e não demorou muito; eu já contava mais de quarenta delas ao meu redor.
Umas me olhavam profundamente sem nada dizer, mas expressando um carinho intenso por alguém que “veio do céu”. “Tia nós vamos brincar” diziam outras. E eu botei pra quebrar. Brincamos tanto, que no outro dia, mal abriu a clínica e as crianças estavam todas lá novamente esperando as novidades do dia. Dentre as atividades, os “curumins” , como se tratam, aprenderam sobre a importância de se escovar os dentes. Entregamos escovas e pasta pra todo mundo e a tia Angélica (dentista de Borba) ensinou como se faz para deixar os dentes limpinhos. Pois é, o que pra gente é tão banal, tão corriqueiro, como escovar os dentes, para aqueles curumins era uma novidade e olhando tudo aquilo eu pensava o quanto tem gente precisando de ajuda nesse país.
Foram quatro dias de muito trabalho ali em Axinim, mas quatro dias de uma experiência imensurável. Sem contar que tomei banho de canequinha; dormi em rede; comi cacau, ingá e outras frutinhas mais. A Asas de Socorro tem muita história pra contar e muito trabalho pra realizar nos lugares mais remotos desse país. Mas, por ser uma ONG conta com a nossa colaboração seja em orações, voluntariado ou mesmo ajuda financeira. Se você tiver interessado em saber mais ou quem sabe também investir nesse projeto. Acesse o site: http://www.asasdesocorro.org.br/ ou contribua para o sustento dessa obra pela conta