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sexta-feira, 17 de julho de 2009

Aplausos aos vencedores

Hoje, faz dois anos do acidente com o vôo 3054. Aos familiares e amigos dedico minhas orações. E aos meus amigos que faleceram segue meu texto que escrevi em homenagem a eles:

Lá estavam eles esperando a vez de embarcar. "Será que vai dar"? Seria a dúvida geral. Olhavam-se uns aos outros pra ver quem seria o mais antigo na hierarquia. Ansiedade de ir, misturada com vontade de ficar mais um pouquinho com a família, mas eles estavam lá. O dever os chamava. Já no avião, outra equipe guerreira com vontade de chegar logo e cumprir a missão do dia. Sabe aquela vontade que todos temos de ouvir: "Portas em manual"... ou "Obrigada pelo vôo". Estes, já sentiam ansiedade misturada com pitadas de alegria de encontrar logo quem os esperava em casa. Todos vencedores, que dessa vez não chegaram ao lugar almejado. Mas chegaram a outro lugar especialmente preparado para eles. Amigos, neste momento de dor. Não vejo outro consolo se não buscar conforto naquele que nos criou para sermos muito mais que vencedores. Mesmo em um momento difícil como esse, temos que "trazer à memória aquilo que nos traz esperança" e minha esperança, em particular, está diante de uma das promessas de Deus registrada no 1º livro de Coríntios capítulo 2 verso 9: "Nem olhos viram, nem ouvidos ouviram e nem jamais penetrou no coração do homem, o que Deus tem preparado para aqueles que o amam". Por isso, não tenho dúvidas de que nossos amigos já estão desfrutando daquilo que Deus tem preparado para todos que o amam. Ou alguém tem dúvida de que o amor de Deus sempre esteve estampado no sorriso, na dedicação, no entusiasmo, no cuidado com os passageiros, na presença amiga de cada um deles? A nossa profissão é um ato de puro amor, porque trabalhamos em servir ao outro. O altruísmo é uma questão de honra. Não temos como não considerá-los mais que vencedores. Aplausos, aplausos e mais aplausos.

me formeiiiiiiiiii


Aí gente, com a graça de Deus terminei minha pós-graduação em Jornalismo Literário. Uma turma maravilhosa com ótimos professores. Valeu a penaaaaaaaaaa.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Everest que loucuraaaaaaaaaaaa


Me falaram que seria de boa. A fila de espera estava em 45 minutos. Quando apertei o cinto de segurança eu me arrependi amargamente e pensei comigo: Por que eu paguei pra sofrer? Mas não tinha mais jeito. O carrinho começou a deslizar sobre os trilhos. Depois da primeira curva ninguém mais sabia o que encontraríamos pela frente. Um túnel. Ainda parecia fácil, quando de repente surge uma subida enorme bemmmmm íngrime. Meu Deus, como nessa hora a gente se lembra de Ti. Subiu, subu, subiu. Minha cabeça já estava colada no enconsto esperando o pior, a descida. Mas, de repente o carrinho parou, aliás não tinha mais trilho. Pronto, vai ser de ré o precipício. Aí foi. De ré e no escuro total, rodou, rodou, rodou tanto que já tinha pedido perdão pelos meus pecados. Não tinha fim, ou melhor, seria o meu fim. Ufa! o trem parou de novo. Um monstro horrível asiático apareceu para nos amedrontar, mas num fez nem cosquinha perto do que já tínhamos passado. Bilu tetéia pra ele e lá vai o trem em disparada de novo. Agora de frente e descida. Entra túnel, sai de túnel, vem curva, passa curva, deita cabelo, sobre cabelo, e o flash das câmeras pegando nossas caras fantasmagóricas. Que terror, enfim, o fim. 45 minutos de espera e cinco de sufoco. Será que minha adrenalina vai voltar? me perguntei, mas foi assim que vencemos o Everest a grande Montanha Russa do Animal Kingdom um dos parques da Disney. Local que inventei de ir ontem para comemorar meu primeiro vôo para Orlando.

sábado, 4 de julho de 2009

Probabilidades

Você sabe qual a probabilidade do passageiro receber formulários de alfândega antes do embarque? 100%.
Você sabe qual a probabilidade do mesmo passageiro guardar este formulário? 100%
Você sabe qual a probabilidade dele saber onde guardou? 10%
Você sabe qual a probabilidade do passageiro preencher esse formulário?100%
Você sabe qual a probabilidade dele preencher corretamente? 20%
Você sabe qual a probabilidade do passageiro te pedir outro formulário? 80%
Você sabe qual a probabilidade de um comissário ajudá-lo a preencher? 90%
Você sabe qual a probabilidade dele acionar a chamada de comissários dizendo que errou de novo? GRANDE
Você sabe a probabilidade de um comissário atravessar a passarela por causa dos formulários? NUM QUEIRA SABER
Você sabe qual a probabilidade de quantos passageiros perguntam o que é nom de jeune fille? BEAUCOUP
Você sabe qual a probabilidade do passageiro perguntar se pode levar paçoquinha?75%
Você sabe qual a probabilidade dele deixar a paçoca para o comissário? RARA.
Você sabe qual a probabilidade dos passageiros brasileiros que perguntam se eles também precisam preencher? 95%.
Você sabe qual a probabilidade do passageiro pedir uma caneta ao comissário? 95%
Você sabe qual a probabilidade do comissário emprestar a caneta? JÁ FOI MAIOR.
Você sabe qual a probabilidade dessa caneta voltar? 0,25%
Você sabe qual a probabilidade do passageiro estar dormindo todas vezes que você oferecer formulários e hora que o avião pousar e os formulários já terem sido guardados ele te pedir um? MUITO, MAS MUITO GRANDE.
Você sabe qual a probabilidade do passageiro distraído lhe perguntar: “Vocês não vão passar formulários?” NEM TE DIGO.
Você sabe qual a probabilidade de no seu desembarque dar de cara com o passageiro no balcão da alfândega preenchendo outro formulário? A POLÍCIA QUE O DIGA.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Toledo


Em Madri novamente. Desta vez resolvemos visitar a cidade medieval de Toledo. Combinamos de nos encontrar no saguão do hotel em meia hora. Meia hora? Isso mesmo, nem dá tempo para fazer os três esses S.S.S. Não vou falar o significado dos esses mas são iniciais de palavras em inglês, que os tripulantes costumam fazer quando chegam no quarto. O último S é Shower, os outros vocês imaginem.


Desta vez os termômetros de Madri marcavam 41 graus. Fui de mini saia e chinelo havaiana, mas quem resolveu ir de sapatinho, sandalinha, etc, sofreu para caminhar.


Tomamos um metrô até a estação Gran Via. Nesse trecho fomos assaltados sem que ninguém percebesse. Uma das meninas estava com uma mochila de couro nas costas. O cara na "cara" dura, abriu a mochila dela pegou uma bolsinha, abriu retirou o dinheiro e pois de novo, sem que ela sentisse nada. Engraçado que ele fez isso na frente de todo mundo e ninguém falou nada. Bom enfim, trocamos de metro em direçao à estação Atocha. Compramos as passagens (11 no total) pata Toledo e tivemos que aguardar duas horas até o próximo trem.


Finalmente embarcamos. O trem é tão veloz e tão silencioso, que quando começamos a sonhar nas poltronas chegamos. Aí sim, o sol rachavaaaaaaaaaaa nosso coco.


Olhamos para cima para a vista da cidadezinha de Toledo. Estava me sentindo em 1714 mais ou menos, vestida em uma armadura de ferro com o sol derretendo meu ser. Já tinham me falado pra pegar um taxi da estação até o centrinho, mas preferimos ir à pé, explorando. Quase não chegamos de tanto calorrrrr. Mas enfim, lá. A vista é maravilhosa, vale a pena mesmoooooo. PRa relaxar nada melhor do que uma jarra de sangria bem HELADA....

terça-feira, 16 de junho de 2009

Pelados no parque!!!


Pessoal, graças a Deus estamos de volta. Cheguei de Madri ontem. Um calor descomunal, beirando os 39 graus. Não tive dúvidas, fui com uma das colegas do vôo para o parque El Retiro. Nos equipamos com nossos biquinitos, protetor solar e um lençol para deitar na grama. Porém assim que chegamos nos deparamos com um lago enorme lotado de barquinhos a remo. Pronto. Não precisava mais nada. Fomos direto para a bilheteria. O passeio de 45 minutos custava 4,99 euros. Perfeito para uma tarde de descanso. O barquinho estava mais para uma canoinha na verdade, com a borda revestida de borracha, porque o lago era, literalmente, uma pista de tromba-tromba. Os camaradas que entregavam o barco na sua mão só perguntavam quem vai remar e soltavam a gente sem explicação nenhuma. Eu assumi a proa e os remos. Pela lógica comecei remar para trás e o barco foi, rsrsrs. Minha amiga se jogou no banco do barco e me disse:

- Só me falta um champagne.

- Nem me fala. A essas alturas a garrafa de água que eu tinha já estava quase em ebulição.

Remei em todos os cantos do lago e a primeira hora passou rápido. Descontentes, fomos até a bilheteria e compramos mais uma hora.

- Deixa o sol torrar.

Dessa vez larguei os remos na água e deixei o barco à deriva. Aí, sim o tempo custou passar.

Mas, o melhor da festa estava por vir.

Assim que deixamos o barquinho caminhamos até um quiosque para tomar uma coca geladinha. E lá estávamos sossegadas quando eu vi uma viatura policial com as luzes escandalosamente piscando.

- O que será que está pegando do outro lado???

- Não faço idéia, disse minha amiga.

Fomos até lá. Era uma manifestação bem pacífica. Aliás tão pacífica que causava riso nas pessoas. Imaginem uma meia dúzia de pessoas peladas, todos "nus com a mão no bolso"e alguns com a pingola balançando. Eles estavam entregando uns panfletinhos, que morri de curiosidade para saber o que era, mas ficamos de longe, só tentando registrar o momento pelo celular.

A polícia só estava ali para protegê-los. Achei aquilo tão interessante, como pode né? Eles são tão naturais. Nem vermelhos estavam. Ficamos ali olhando, meio que querendo rir ou comentar a respeito, quando de repente desce uma excursão de crianças e passam por eles como se nada estivesse acontecendo. Lógico que alguns estavam com muita vontade de rir, mas se contiveram pelo olhar da professora e passaram em silêncio.

Ai se fosse no Brasil rsrsrsrsrs.

- PELADÃO!!!!!

-FIU, FIU.


sábado, 6 de junho de 2009

Perseguição não???






Gente eu escrevi na crônica anterior que eu sou abençoada passo sempre um dia antes ou depois das crises. Pois é, no último sábado embarquei na rota Rio/Paris, a mesma da que fez o avião da Airfrance no domingo. Mas, o interessante foi que assim que saímos da costa brasileira eu entrei na cabine de comando, como procedimento de rotina e ali conversando com os pilotos olhei para o radar e tinha duas bolas (literalmente) bem vermelhas e um espaço entre elas onde deveríamos passar, eu perguntei:


- Gente o que que é isso?


- E o comandante me disse, é isso mesmo o que você está pensando. Ou seja formações climáticas que geram turbulências horríveis. ( as mais leves aparecem na cor verde, quando estão vermelhas é que o "bicho vai pegar".


Então, por precaução o comandante ligou o aviso de atar cintos, enquanto atravessávamos aquele trecho. Dali mesmo eu fiz o speech para os passageiros atentarem ao aviso de atar cintos.


Depois do acontecido, fiquei pensando com os meus botões, será que eles (vôo da Airfrance) entraram naquelas fomações vermelhas???


Mas enfim, ce la vie e nós temos que continuar. Hoje vou para NY e espero ter histórias cômicas pra contar de lá. Aqui deixo meus sinceros sentimentos às famílias das vítimas do 447.


Imagino se realmente o vôo da Airfrance entrou nessas formações na noite seguinte.