Este blog tem o intuito de apresentar alguns fatos e boatos da aviação. A maioria das histórias foram vividas por mim, enquanto aeromoça, ou enviadas por colaboradores.Participe
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sábado, 26 de março de 2011
quarta-feira, 9 de março de 2011
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
O sapato no divã

- Olá meu filho, diga qual o seu problema:
- Doutor eu ando muito triste ultimamente. Eu vim de uma grife muito famosa. Era até confortável. Conseguia fazer a cabeça da mulherada. Elas me usavam tanto que eu saia estragado. Claro que eu tinha que me submeter aos sprays, talquinhos, bolinhas anti-cheiros, naftalinas, sei lá.
Mas agora, doutor (chorando muito, ao ponto de ser ouvido na sala de espera). Mas agora, nada disso adianta. Não há nada que tire meu cheiro. Quanto mais sprays elas passam, mais eu fedo. Elas me guardam num armarinho, quando calçam minha prima sapatilha e coitado de quem abrir esse armarinho despreparado. Olham pra mim com nojo, com desprezo, aiaiaiaiaia doutor.
- Hum.
- O pior doutor é que o cheiro é o de menos. Desde que eu perdi a grife famosa para uma marca personalizada, que vem acompanhada de um selo de garantia de conforto, estou sendo rejeitadooooo. Eu me tornei uma pessoa dura, ríspida, esfolo os dedinhos, aperto. Elas não agüentam ficar comigo muito tempo, preferem aquela achatada da minha prima sapatilha buáááááá’ – (intensifica o choro). Sabe doutor, eu sei que elas têm razão por causa do meu salto. Outro dia eu li numa revista que “o uso do salto alto faz com que a mulher distribua maior peso e exerça maior pressão nos dedos dos pés, o que pode levar ao encurtamento nos músculos da panturrilha (batata da perna), provocar tendinite, fraqueza muscular, ruptura de ligamentos, entorse (virada de pé), esporões de calcâneos e tornozelos. Sem falar em aumento da lordose lombar, dores no joelhos, calosidade, joanetes e unhas encravadas, caso o sapato tenha bico fino” 1.
- Aham
- É o meu caso buáááááááááááá. A minha dona está com essa tal de lordose lombar. Ela me odeiaaaa. Está sofrendo muita dor e não sabe mais o que fazer. Ela e mais um monte de amigas. Doutor me ajuda eu quero me matar.
- Bem meu filho já deu o horário. Volte na semana que vem.
1 – SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL – Combatendo a Obesidade – artigo o risco do Salto Alto - Ano 9, no 106. P15.
sábado, 19 de fevereiro de 2011
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
Tomadas
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
Relembrando uma de minhas aventuras no Amazonas

Tem certeza que tem gente aí?
Essa foi a pergunta imediata que fiz ao piloto Paulo Bachmann depois de sobrevoarmos quase uma hora mata adentro com o Caravan Anfíbio 208. Chegamos à Região de Borba, mais precisamente em Axinim, margens do Rio Madeira na Amazônia. Uma comunidade de quase 2000 pessoas. É incrível, mas ali, onde ninguém imagina existe vida. E é por essas vidas “esquecidas” que voluntários de Asas do Socorro têm dedicado seu tempo e seu talento. Nossa equipe era composta de duas dentistas, uma médica, uma auxiliar de enfermagem, uma missionária e eu. Só mulher. E pra nossa surpresa a equipe foi acrescentada de mais seis mulheres que vieram da secretaria de saúde de Borba, o município responsável pela comunidade de Axinim.
Quando o avião amerissou muita gente já nos aguardava. A alegria expressa nos olhos deles era incrível. Como se dissessem alguém está olhando por nós. Segundo Bachmann, a população ribeirinha, ou caboclos é a que mais sofre por falta de assistência. Eles não são considerados nem índios, nem brancos e por isso não são assistidos como os índios. “É um povo que não tem nada e o grande desafio é o casamento da tecnologia do século 20, como um avião (pássaro grande de barriga), como dizem, com um povo que vive ainda como a 500 anos”, explica o piloto que há 15 anos trabalha com Asas. Para ele só mesmo a mão de Deus para fazê-los encontrar gente onde ninguém imagina. “Deus orquestra tudo. Manda chuva justamente quando temos que cancelar um vôo. Dá-nos sabedoria para descobrir rapidamente as eventuais panes do avião, entre outras coisas que posso chamar de milagres”, acrescenta o piloto. Os lugares que eles pousam, às vezes, levam-se dias para chegar de barco e numa emergência, o tempo é vida.
Mas, vamos continuar nossa aventura. Assim que desembarcamos em Axinim, a equipe já começou a montar os “consultórios” e a primeira frase que ouvi de um morador foi: “Vocês caíram do céu”, tal era a ansiedade deles por ajuda. O lugar tinha mais estrutura do que as situações normais que as equipes de Asas enfrentam. “Nossos equipamentos são adaptados para regiões precárias mesmo; como cadeiras de plástico dobrável; gerador de energia solar para funcionamento do compressor; nossas camas são redes e o que trazemos na bagagem é muito amor por esse povo”, explica a missionária Mara Jeane Dantas.
A fila de espera para atendimento num instante ficou enorme. E eu pra aproveitar a ocasião, entrevistei alguns nativos, como o pescador Valdenor Rodrigues que disse estar muito feliz: “Essa atitude de vocês traz pra nós carinho, alegria, não só ajuda médica, mas conforto espiritual também”. Para o aposentado Orlando Moraes, os voluntários deveriam vir mais vezes. “É mais fácil vocês chegarem de avião até nós, do que a gente ir a remo 18 horas rio adentro pra conseguir socorro médico”, disse. Já a dona Eugênia Moreira de Lima, 70 anos, só queria saber de curar a dor que estava sentindo por dentro. Quanto mais eu perguntava o que ela estava achando do projeto, mais ela me respondia: “É só essa dor mesmo que sinto por dentro e as minhas vistas que não estão boas”.
Depois de ter conhecido um pouco do povo; tirar bastantes fotos, me encarreguei de brincar com as crianças e não demorou muito; eu já contava mais de quarenta delas ao meu redor.
Umas me olhavam profundamente sem nada dizer, mas expressando um carinho intenso por alguém que “veio do céu”. “Tia nós vamos brincar” diziam outras. E eu botei pra quebrar. Brincamos tanto, que no outro dia, mal abriu a clínica e as crianças estavam todas lá novamente esperando as novidades do dia. Dentre as atividades, os “curumins” , como se tratam, aprenderam sobre a importância de se escovar os dentes. Entregamos escovas e pasta pra todo mundo e a tia Angélica (dentista de Borba) ensinou como se faz para deixar os dentes limpinhos. Pois é, o que pra gente é tão banal, tão corriqueiro, como escovar os dentes, para aqueles curumins era uma novidade e olhando tudo aquilo eu pensava o quanto tem gente precisando de ajuda nesse país.
Foram quatro dias de muito trabalho ali em Axinim, mas quatro dias de uma experiência imensurável. Sem contar que tomei banho de canequinha; dormi em rede; comi cacau, ingá e outras frutinhas mais. A Asas de Socorro tem muita história pra contar e muito trabalho pra realizar nos lugares mais remotos desse país. Mas, por ser uma ONG conta com a nossa colaboração seja em orações, voluntariado ou mesmo ajuda financeira. Se você tiver interessado em saber mais ou quem sabe também investir nesse projeto. Acesse o site: http://www.asasdesocorro.org.br/ ou contribua para o sustento dessa obra pela conta
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
O Extra e suas “sinas”
SINA - Número 1 - para os que estão de folga ou férias...
Invente curtir sua folga em qualquer lugar fora da base e viverá uma "emocionante" aventura.
Sabe quando você vai chegando no Chek-in e de longe o despachante já emite aquele olhar como que dizendo: "- está lotado", mas você corajoso vai tentar mesmo assim. Na verdade você só precisa passar pelo portão de embarque e tentar a vaga contando com a bondade do comandante, que a essas alturas já deve estar na porta do avião. O despacho vai fazer de tudo pra embaçar, mas não desista.
Na porta do avião já tem uns três extras na sua frente:
“- ola comandante, senhor me leva de extra?”.
“- Claro fique a vontade”. Risos...
O jeito é aguardar a contagem, os outros extras estão encaixados nos Jumps Seats.
O suor toma conta porque a final você conseguiu folga em plena páscoa pra comemorar com sua família e o que é melhor, você conseguiu pegar seu passe com antecedência.
A contagem esta terminando e ufa! Sobrou um lugar no meio do avião. Que bom você acomoda sua bagagem embaixo das pernas porque os bins já estão lotados. Mas enfim, sentado.
Aí, aí, repito aí, o seu crachá vai ser responsável pelo resto do estresse da viagem. Tenho uma amiga que diz que o que mais ela inveja na minha profissão é o meu crachá. Porque todo mundo puxa papo comigo.
Bom, mas “meu crachá me condena”.
Pode esperar que, uma vez sentado de extra com um crachazinho, vai ser bombardeado de perguntas e sempre as mesmas:
- Vocês têm folga?
- Como que é o trabalho de vocês. Voam todos os dias?
- Vocês têm tempo pra conhecer os lugares ou têm que voltar rapidinho?
- Você voa pra fora ou só aqui dentro mesmo?
- Deve ser gostoso né? Você não tem medo?
- Já passou por algum perigo?
- Quando eu era mais nova eu sonhava em ser aeromoça.
- Agora não é mais aeromoça que se fala é comissária de bordo.
- e da pra namorar?
Nem diga como está o seu sono a essas alturas do campeonato porque você acabou de chegar de um madrugadão.
Sina 2 - Dedicada aos extras da Ponte.
Você combina um horário com seu namorado no aeroporto Santos Dumont e vai tentar a primeira ponte pra aproveitar o seu dia de folga. Não consegue. Espera a segunda e aí aparecem umas duas tripulações de extras remunerados na sua frente. Você, com cara de poucos amigos, não embarca e o seu namorado está lá firme e forte. Uma ligação e diz: - “amor, não consegui, vou tentar a próxima”. E ele: “-Fazer o que né”. Vamos pra terceira ponte. Tem uma vaga no jump, você está quase feliz, quando de repente chega um comandante e lá foi seu lugar. Não se preocupe está saindo outra ponte no avião da congênere e finalmente você consegue um lugarzinho. O avião decola e quando você menos espera, vem o speech: Senhoras e senhores aqui é o comandante tal e venho lhes informar que o aeroporto Santos Dumont fechou devido ao mau tempo. Vamos alternar para o Galeão.
“Ai, meu namorado vai me matar...” você resmunga.
SINA 3 – Poucos vôos e muita gente
Sabe aquelas cidades tipo Londrina, que é o meu caso, onde só tem três vôos por dia e muita, mas muita gente pra embarcar. Então é assim: você consegue três dias de folga num final de semana, “que legal dá pra ir”, você pensa. 9h20 tem um vôo, você chega cedo, mas já te fulminam com o olhar de overbook e mais três extras, você dança. O próximo é só 16 horas, você espera e consegue. Quando está pra pousar, o aeroporto do destino fecha e o jeito é alternar para Presidente Prudente (250 Km de distância) e fazer o trecho de ônibus o que leva pelo menos três horas. Chega em Londrina por volta das 21 horas e lá se foi o seu primeiro dia de folga. Aproveita sua família ao máximo no segundo dia porque o terceiro terá que ser dedicado para o retorno que com certeza não vai ser diferente.
SINA 4 - A família
Pior de tudo é quando milagrosamente aparece na sua escala um ótimo vôo, tipo Manaus ou Fortaleza inativo. Cheio de alegria, é claro, você vai querer partilhar esse momento com alguém tipo: namorado (a), marido, mulher, irmãos, mãe, avó, amigos sei lá, alguém especial. Você tira a passagem rip e fica contando os dias, para que tudo certo. E passagem tirada é passagem tirada. Não tem volta. Chega o dia. Você vai com a pessoa paro saguão (o vôo está lotado é claro), então pede ao seu rip pra esperar um pouco até que você vá falar com o comandante, mas qual é a sua surpresa quando chega no D.O, digita sua chapa e aparece “roster changes” . Isso mesmo teve alteração de escala pra você e irá fazer um Ribeirão Preto/ Goiânia com pernoite em Brasília. VOCÊ QUER MORRER. O que fazer com o seu ente querido que está lá fora ansiosamente aguardando sua volta. Chora, reclama, esperneia, num tem jeito, vá voar e mande o seu para casa. Parece mentira, mas não é. ACONTECE COM AS MELHORES FAMÍLIAS.