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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Quando abro a janela...

Quando estamos trabalhando em voo, raramente paramos para apreciar as paisagens lá embaixo. Mas, sempre que posso, paro tudo e dou uma espiadinha. São momentos e flashes inesquecíveis. Fico pasma de admiração da perfeição natural, do casamento saída do mar entrada no continente. Na hora, me vem a lembrança das aulas de cartografia e dos mapas no atlas, que muitas vezes a gente tinha que reproduzir em alto relevo, com durepox, sabe? Agora posso ver tudo na real, é como seu eu tivesse com o google earth aberto. Esses registros que colecionam são: Paris, Chile, Londres, Bahamas, Portugal, Amazonia, Tenefire, Santos, Suiça... E lá vou eu por esse mundo à fora.

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quinta-feira, 13 de junho de 2013

Desabafo globalizado

Bom dia amigo! A essa hora você já deve estar revoltado com o preço do pão francês na padaria ou então, deve estar revoltado com o trânsito empacado, querendo xingar um. Mas, gente vamos dar um desconto ao nosso país que tem apenas 500 anos. Uma criança perto de outros que estão mais de 1500 anos na nossa frente. Olha pelo lado positivo, que com muito "custo" um cidadão se elege político e consegue fazer uma viagem ao exterior e lá ele vai ficar admirado com algumas coisas: "Nossa que legal, vamos fazer isso no Brasil". Por exemplo, apresentar os valores dos impostos nas etiquetas de preço dos produtos. Parece que redescobriram a América. Reciclagem de lixo? Há 20 anos eu morei na Suiça e vi que ao jogar qualquer embalagem fora eles dobram, redobram, pisam em cima, amassam, deixam a embalagem no menor tamanho possível, porque pagam por saco de lixo que é colocado fora. Então eles dão um valor absurdo no lixo. Aliás, ninguém joga um papel de bala sequer no chão porque vai doer no bolso deles. Trânsito? Amigo, quando há qualquer problema com semáforos em cruzamentos ou bloqueio de uma das vias. Automaticamente eles se organizam em passar um carro de um lado, um carro do outro, um de um lado e um do outro. Ninguém quer se enfiar na frente do outro, tomar vantagem, buzinar e xingar. Eles aprendem isso na escola de condução. Simples e prático, o trânsito flui. E, quando passam por locais em que há fluxo de pedestres como escolas, igrejas, sei lá. Reduzem a velocidade a quase zero. Respeito há mais de mil anos. Bom, lá na Suiça você paga impostos pra tudo, mas você TEM TUDO. Saúde nota 10, Educação nota 1000. Seu carnê de imposto vem completo, inclusive TV a cabo. Isso mesmo. É PRA TODOS. Carro? Não se pode ter carro com mais de 10 anos de uso nas ruas. Portanto, a facilidade de compra é incrível. Pra começar, quase não tem inflação. Então você escolhe seu carrinho na loja, com parcelas compatíveis com seu salário e vai pagando como uma despesa mensal, sem dar entrada, sem pagar IPI, taxas administrativas, taxa num sei do que, num sei o que lá. Detalhe: O seu SALÁRIO DÁ. Salário que eu digo, de nível técnico, ensino médio. Todo mundo lá sai do segundo grau profissionalizado e com emprego. Fazer faculdade é uma escolha de cada um. Mas a sobrevivência dele está garantida ali. Mas calma gente, ainda temos muito o que aprender. 500 aninhos só, vai dá um desconto. Por ossos do ofício estou sempre em países diferentes. Então, muitas vezes, eu fico admirada quando vejo algo chegando só agora no Brasil. Mas, ainda bem que chega né? Estados Unidos tem Pedágio? Tem. Mas, as autopistas eu vou te falar. São um tapete. Ninguém superfatura na obra pra apresentar uma asfalto sucateado que dali três meses tem que remendar. A matéria prima é pra durar pra sempre. Gente que pensa no futuro. Inglaterra recentemente foi sede dos jogos Olímpicos. Eu estive lá e o preço dos hotéis e restaurantes, continuou o mesmo de sempre. Não tem exploração de turista. Brasil? Soube que uma diária no hotel em Recife agora na Copa das Confederações já foi pra R$2.600,00. Gente, o que que é isso???? É o jeitinho brasileiro de tirar vantagem em tudo. Bom, poderia ficar o dia inteiro contando as coisas que vejo por aí, mas vou ater-me na esperança de que um dia teremos 1500 anos e quem sabe com um país evoluído. Por enquanto somos a geração que está pagando esse preço. Como outras gerações já pagaram altos preços pra termos o que temos hoje. Bye,bye...

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Na manicure




- Oi, tudo bem?
- Tudo. E você? responde a manicure te dando um beijinho ou dois depende da região. 
- Nossa, que cara de cansada! De que lugar do mundo você está vindo?, pergunta ela  em alto e bom tom pra que o resto do salão saiba, que você viaja por aí.
Você sem graça levanta os olhos aos redores, abre um sorriso meio-lábio e fala timidamente:
- Miami.
- Ai gente essa minha cliente é chique, ela bate perna por esse mundo de meu Deus. É aeromoça, anuncia.
Aí você vê algumas risadinhas e uns comentários "nossa que legal". Há aquelas que arriscam:
"- ai era meu sonho, mas minha mãe falava que tinha que ser alta. Mas você não é tão alta?".
Nesse instante os olhares do salão todo estão sobre você pra ver se você é alta, gorda, descabelada, míope e pelas divagações de pensamentos pode-se ler. " Hum, uma aeromoça assim de chinelo"? 
Outra: "coitada deve ser uma chifruda". E essa mesmo vem com a pergunta: 
- E seu marido deixa? Dá tempo pra namorar?
- Dá sim. não é fácil, mas é só saber levar, você responde pra ser educada.
- Menina você deve comprar cada coisa linda né? Pergunta uma terceira.
Aí você não dá muita trela até que elas começam a falar de outros assuntos como filhos; almoço em família; festas; passeios ao shopping no domingo;  espetáculo  de balet da filha; filmes no cinema com o noivo, enfim de vários assuntos que te trazem à tona o preço que se paga em ser uma AEROMOÇA.
Preço esse, que não é visível aos olhos do público que apenas vislumbra o brilho da profissão. Que acha que você só passeia. Preço sentido pelos protagonistas da sua história, que têm que se adequar a cada capítulo, que a escala escreve. 
Parabéns guerreiros.
Salve 31 de Maio dia do Comissário de Voo.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Quem estava lá?

Eles estavam lá, prontos para ouvir o tiro de largada e gastar toda adrenalina  acumulada pelo  simples fato de  largar. Calma ! Só mais alguns minutos e Fooommmm toca a buzina, corneta, sonoro, não importa. Corram, corram muito para molhar essa tensão que vai se dissolver nas primeiras braçadas. É como as primeiras palavras de um discursante diante de um público desconhecido. Não tem como evitar.  Mas passa.  Uma,  duas, três braçadas e vamos lá, agora é vencer a maré, essa senhora de temperamento variado.







Elas estavam lá,  esperando  por seus donos. Todas bem arrumadas e alinhadas. Ontem foram testadas, lubrificadas, pedaladas, freadas. Velozes  Guerreiras! Tão leves e frágeis. Hora carregam, hora são carregadas.  Mas cadê eles? Vamos logo, o cronômetro não espera.  Tente vencê-lo.







Elas estavam lá. Quem as bikes? Não. As mochilas. Guardam estilos, marcas, guardam segredos. Companheiras  inusitadas. Por momentos ficam só, mas não abandonadas. Eles voltam. Voltam sim. Tudo deles está lá. Mas, agora, só no fim. Ufa! Recebem o último abraço. Missão cumprida, prontas para voltar pra casa.





Eles estavam lá. Sem donos, esperando todos, mas, nem todos esperados.  Importantes, glamorosos, narram histórias no designe. Coroam vitórias, estimulam fracassos. Quem merece? Quem chegou? Quem venceu os outros? Quem venceu a si mesmo? Quem não venceu ainda? Quem espera ser um vencedor? Todos. Todos merecem o troféu da vida.  Esses, multiplicam felicidade e eternizam lembranças.

 Parabéns  a todos os participantes do 22ª Triathlon Internacional de Santos. 

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Londres: cheguei chegando

Bom dia pessoal, hoje dia 29 e eu estou em Londres. A diferença é que desta vez vim com o jeitinho britânico de ser, com a credencial certa. Nossa, fui recepcionada na porta do avião, a alfândega se abriu para mim e recebi um carimbo das paralimpíadas no passaporte. Vou ter que guardar para sempre. 
Todos os metrôs, ônibus e trens estão disponíveis para quem tem credencial. Estou boba. A única coisa, que ainda não me conformo é que além de fazer parte da imprensa estrangeira, vir de tão longe, afinal foram 11 horas de voo, você precisa receber um convite para assistir a cerimônia de abertura. A delegação de imprensa do Brasil é enorme e só receberam 18 convites, ou seja, ou seja, a Luciane Tonon não é red carpet, rsrsrssr.
Olha gente eu não sei porque metade das letras deste texto estão em preto e outro tanto em azul, mas vamos continuar. 
Estou bem contente de estar aqui. Fui deitar as 21 horas do Brasil ontem e as 2h30 da manhã eu já estava acordada. Ansiedade??? Fuso??? Jet leg??? Não sei, só sei que estou aqui escrevendo. Bom, o dia hoje promete, vou atrás de fofocas. Aliás preciso ir atrás do Blade Runner o Oscar pistorius da foto. Bonitão né?  
Fuiiiiiiiii, 


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Quem fica de fora

Os que ficam de foram nunca  perdem a esperança
Quem fica de fora é porque não chegou lá. Não alcançou o índice. Não venceu a meta. Não comprou com antecedência. Não venceu. Perdeu a hora. Errou o caminho. Parou no trânsito. Esqueceu a data. Errou as questões.
Mas, o que aconteceu? Por que eu fiquei de fora? Inconformismo é a sensação que nos abate. Eu treinei tanto, eu me programei, eu saí mais cedo, eu estudei pra caramba, eu acionei o despertador, quanta dúvida e quanta culpa.
Na ansia de não ficar de fora eu me antecipei e tentei ir ao Centro Olímpico dois meses antes da data das competições. Acordei cedo em Londres, cheguei na estação, ao invés de eu pagar com libras olhei no bolso e só tinha euros.
- Desculpa Senhor, eu já volto, disse ao vendedor de passagens. Corri para o hotel, mas não quis saber que já era um sinal para não ir. Fui assim mesmo, eu não podia ficar de fora.
Cheguei lá e me deparei com uma realidade, ainda não conhecida por mim entre os londrinos. Eles fazem exatamente o que estão designados a fazer. Nenhuma informação a mais ou a menos. Não dão jeitinho de quebrar o galho, de ir além, de tentar com alguém que possa te ajudar. Afinal, eu vim de outro país e precisava resolver um problema.
Nem o senso de humor
Viva a alegria de estar ali
 Bom, eu expliquei a situação que tinha vindo para uma cobertura jornalística, que já tinha credencial para as paralimpíadas e gostaria de saber o processo para as olimpíadas, que eu também já tinha conseguido inscrição via email. Sem brincadeira esperei um tempão,e eles não chegaram à conclusão de onde e com quem eu deveria falar. Ah, sem contar que levei duas horas perdida no shopping em frente ao estádio buscando informações, onde era o centro da mídia.Eu perguntava nos balcões de informações, eu perguntava para policiais de plantão, cada um me mandava num lugar. Até na administração geral do Shopping eu fui parar. Resultado?? Encontrei brasileiros da Rede Record e eles me explicaram onde era.
Nada resolvido fui embora. Na semana seguinte eu voltei lá, porque sou brasileira e não desisto nunca. Desta vez eu levei meu número de inscrição, o nome da pessoa com quem tinha contato e tal. 

Os mesmos caras me atenderam, se lembaram de mim, mas me 
deixaram duas horas esperando alguém para NADA. Socorrooooo!Eles não foram capazes de me levar para a tal Ana Morales, que era o meu contato. Gente era só ligar para algum supervisor e perguntar, onde está Ana MORALES??? Não estava programado para eles fazerem isso.
Chegou o dia da abertura. Brasileiros vamos lá na porta tentar. Estamos acostumados com jeitinho de entrar, com cambista, com venda superfaturada, qualquer coisa que pudéssemos entrar, afinal estávamos lá. Depois de 1h30 de metro chegamos na muvuca. Desta vez, fiquei com dó de quem ficou de fora. Não tinha um telão para o povo acompanhar, era preso quem vendesse ou comprasse tickets clandestinos e um cerco policial não deixava o povo nem sair, praticamente da estação.
- Ah gente eu só queria tirar foto do estádio, disse uma
Bem vindo aos que não conseguiram entrar

 das comissárias que estava comigo.
E a galera “de fora” estava lá, firme e forte. Uns fantasiados de homem aranha, outros brasileiros de perucão fazendo palhaçada, mas tal era a fé do povo que iriam ao menos se aproximar do estádio. Que isso, mandavam a gente ir para o Hide park, onde teria telões. A tripulação seguiu ora lá e qual foi a decepção. Custava 65 libras para ver nos telões. Gente que loucura. Eu, pensei vou dar a última cartada e entrar com a credencial da paralimpíada, quem sabe. Aí comecei a passar pelo cerco, fui me aproximando, e mostrando o crachá. Passei por várias fiscalizações e fui agradecendo a Deus. Não acreditava queestava entrando. Aí passei no raio x, tudo bem. Corri porque estava em cima da hora e quando eu cheguei na entrada do estádio, uma curica pegou minha credencial e disse:
- Não, esse é válido só para as paralimpíadas, você tem que sair.
- Mas moça, eu acabei de chegar do Brasil vim correndo, não encontrei a sala de credenciamento, me permitiram chegar até aqui.
- Não, chamou o chefe de segurança e ele me acompanhou até a salinha, a mesma de dois meses atrás, que ninguém resolve nada. O cara pediu pra eles me darem a credencial certa de entrada, mas a mulher que me atendeu, entrou lá e demorou 40 minutos para me levar a um telefone com uma portuguesa. Que me explicou:
- Senhora, esta credencial que tens és para as paralimpíadas, portanto hoje não podes entrar.
Não adiantou eu rezar a missa. Não tem jeitinho brasileiro.
Enfim quem tá dentro tá dentro e quem não tá? rsrsrsrs.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Pneu furado

Domingo a noite, por volta das 21 horas, estava eu sentada no D.O de Guarulhos. D.O para quem não sabe é a sala onde os tripulantes se reúnem antes de cada  voo ou, onde cumprem plantão, que carinhosamente chamamos de reserva, ou conserva, como preferirem. Então, lá estava eu esperando as horas passarem até meia noite e cinquenta, quando soa o alto falante chamando comandante tal, co-piloto tal e comissários: Ane Tonon "eu ?" a primeira?, fulano, ciclano e beltrano -  ai aia aia ai já tremi nas bases - favor comparecer ao balcão da escala. Nessa hora você não sabe o que te espera. Se vai para o sul, ou se vai paro o norte. Se vai demorar dois ou cinco dias pra voltar. Bom, tem que. Uma tripulação inteira acionada. 
- "Vocês devem seguir de extra pra porto alegre e trazer o avião que está lá em manutenção", explicou o Despachante. "Ah e volta hoje ainda com pouso as 2h16 da manhã".
Fomos nós, sentadinhos, porque nessa hora os cartões de embarque chegam na sua mão antes de você sair da sala.
Quando chegamos lá, fomos direto pro avião, que tinha furado o pneu quando pousou. Já era, 23h30 sendo que este avião tinha que ter decolado as 19h30. Agora pensa no humor dos passageiros.
Gente eu ali na porta ouvi tanto desaforo. Quando eu estava quase fechando a porta, veio um:
- Eu quero descer, eu  e minha esposa. AGORA.
- Mas, senhor eu estou com a mão na porta pra fechar, assim que o senhor parar de falar com o despachante.
- Não quero saber ele me disse que teria mais 10 minutos de atraso e se passaram 15. 
Aí o despachante tentou explicar que teria que desembarcar um contêiner inteiro pra procurar a mala dele e iria atrasar mais uma hora. E eu disse.
- Se o senhor quiser mesmo vou avisar ao comandante. Aí ele arriou.
Eu acho engraçado. As pessoas pensam que trocar pneu de avião é igual de carro. Vai lá, sobe no macaco, desenrosca as porcas, tira o pneu e pronto. Gente, o alinhamento e balanceamento de um pneu de avião tem que ser perfeito. Os parafusos regulados na maior perfeição. É o pneu que sustenta o bichão quando ele pousa.
Mas, como É DIFÍCIL DE ENTENDEREM ISSO. Acredita que o mesmo que queria sair, não quis comer o lanche alegando que passou a validade porque virou a meia noiteeeeeeeeeee.
Na saída do voo, saíram excomungando. Um deles, chegou bem na minha cara com cinismo e disse.
- OBRIGADO TAM.
Eu fiquei pensando, nossa acho que a empresas desses cidadãos é perfeita, num fura pneu, num atrasa nada pra clientes, num chove, num acontece nada imprevisível.
Mas como sempre digo: Tudo é passageiro.